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Carlos Matos é um dos resistentes algarvios na arte de vender ilusões, apesar das dificuldades de um mercado cinematográfico controlado pelas grandes distribuidoras. Ria Shopping é a aposta que se segue. Há 30 anos a projectar cinema no Algarve, onde começou por influência do avô, nos tempos em que o cinema ainda chegava às noites de Silves, Carlos Matos é um dos nomes incontornáveis do sétima arte na região, tendo já levado fitas a locais tão diferentes como Armação de Pêra, Praia da Rocha ou Lagos.
Depois de uma experiência recente mal sucedida nos cinemas do Atrium Faro que, à semelhança do centro comercial, acabaram por fechar portas, a paixão de Carlos Matos voltou a falar mais alto, abrindo novo investimento no centro comercial Ria Shopping, em Olhão.
A decisão não foi, contudo, tomada ao acaso, já que conseguiu manter a marca «Algarcine», o que o leva a tecer elogios à equipa do shopping, que apostou num espaço pequeno e sem o carimbo das grandes cadeias de projecção nacionais.
«A abertura destas três novas salas só foi possível porque encontrei um parceiro ideal que teve a sensibilidade de juntar a vertente social à vertente comercial do cinema», explicou Matos ao «barlavento».
Apesar disso, a precaução foi, desta vez, um factor a extra a tomar em conta na nova aventura cinematográfica. «O objectivo foi fazer três salas mais pequenas, de forma a oferecer mais sessões, maior variedade de filmes e evitar o desconforto de uma sala vazia», afirma.
Apesar de, até ao Natal, ainda ser a película de 35 milímetros a comandar as projecções, em menos de seis meses todas as salas estarão dotadas com equipamento digital, apto a projecções tridimensionais.
Segundo o «histórico» da sétima arte na região, o cinema digital vai agora dar aos pequenos exibidores a possibilidade de terem cópias a tempo e horas, anulando o efeito de «concorrência desleal».
«Nos últimos anos [no Algarve], tem havido pressão para acabar com a pequena exibição. Mas, partir do momento em que os filmes vierem num disco rígido, já posso exigir uma cópia a tempo e horas», explicou Carlos Matos ao «barlavento».
Além da tecnologia, o espírito da tertúlia cinematográfica também vai ter lugar nas novas salas do Ria Shopping, que passarão a acolher a sessão semanal do Cineclube de Olhão.
Paralelamente, o dono da «Algarcine» quer apostar no cinema não comercial, reservando as quartas-feiras para a projecção de «filmes de qualidade».
26 de Agosto de 2009 | 14:55
Filipe Antunes
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