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O Bloco de Esquerda veio a público denunciar a alegada «forma anti-democrática e absolutamente autocrática do presidente Francisco Leal na condução dos trabalhos da primeira reunião da Câmara Municipal de Olhão». O partido, que conseguiu eleger pela primeira vez um vereador neste concelho e em todo o Algarve, começou a sua função de oposição ao ataque, apelidando a atitude do executivo PS um «verdadeiro escândalo». Mas a maioria PS garantiu que cumpriu as regras e exorta BE a fazer o mesmo.
Segundo o Núcleo de Olhão do BE, o vereador eleito pelo partido João Pereira não teve permissão para apresentar propostas na primeira Reunião de Câmara, que teve lugar esta semana.
Os bloquistas asseguram que a intenção era apresentar «um mero Regimento para as reuniões de Câmara, conforme previsto na Lei, mas que nunca existiu neste órgão autárquico».
O Bloco questiona ainda o facto de se ter passado de imediato à votação das propostas apresentadas pelo presidente «sem qualquer discussão sobre as mesmas».
Em cima da mesa estiveram sete propostas, quatro das quais relativas à nomeação dos conselhos de administração de outras tantas empresas municipais.
«Ora, como é possível que os vereadores votem em consciência e de forma responsável, como lhes é exigido pelos cidadãos e pela Lei, sem que lhes seja distribuído um simples documento justificativo das propostas, como seria um elementar Curriculum Vitae de cada um dos propostos para as administrações?», questiona o BE de Olhão.
Contactado pelo barlavento.online o presidente da Câmara de Olhão Francisco Leal recusou fazer comentários a esta tomada de posição pública do Bloco, assegurando que o vereador eleito pelo BE «vota até contra as coisas mais elementares».
«Acredito que, todas as quartas-feiras, será prática comum do Bloco lançar este tipo de acusações, pelo que não tenho qualquer comentário», disse.
«Nós cumprimos as regras e a legislação em vigor. O vereador do Bloco também as terá de cumprir», avisou Francisco Leal.
Mas as acusações do vereador bloquista vão mais longe: «Igualmente lamentável é o comportamento dos vereadores do PSD. Continuam a não se assumir como oposição, persistindo na atitude conivente que os caracterizou no último mandato que nunca votaram desfavoravelmente uma única proposta da maioria PS».
«Resta saber se a persistência nesse comportamento político terá alguma relação com o facto de o líder da concelhia do PSD, Alberto Augusto Rodrigues de Almeida, ter sido nomeado para o Conselho de Administração dos Mercados de Olhão», interrogam os bloquistas.
30 de Outubro de 2009 | 14:43
hugo rodrigues
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